28/4/2026 – O Tribunal Superior do Trabalho (TST) participou, na última sexta-feira (24), do Encontro de Integração em Inteligência Artificial do Judiciário (IAJus 2026), realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em Brasília. O ministro Agra Belmonte, coordenador do Comitê de Governança de Tecnologia da Informação do TST, destacou que a inteligência artificial (IA) é hoje um “agente auxiliar” indispensável para enfrentar o grande número de processos no país.
O encontro reuniu magistrados, servidores e especialistas para discutir a integração de iniciativas e o uso estratégico da inteligência artificial no Judiciário. A proposta é ampliar a cooperação entre tribunais, reduzir a fragmentação de projetos e incentivar o compartilhamento de soluções em diferentes estágios de desenvolvimento.
Em sua participação, o ministro assinalou que o Judiciário brasileiro tem cerca de 80 milhões de processos em tramitação, e a tecnologia deve caminhar junto com o entendimento das causas dessa litigiosidade. “Se não houver intervenção nas razões da litigiosidade, vamos simplesmente enxugar gelo, seja por meio da IA ou do processo civil”, afirmou.
Ferramentas inovadoras
Agra Belmonte detalhou como o TST tem utilizado a tecnologia para gerir um acervo de aproximadamente 647 mil processos. Atualmente, três ferramentas principais otimizam o fluxo de trabalho nos gabinetes:
- Bem-te-vi: atua na triagem e no agrupamento automático de processos com temas idênticos. Utiliza aprendizado de máquina para organizar o acervo, permitindo que o tribunal decida lotes de recursos com maior rapidez e uniformidade.
- Águia: o sistema auxilia na elaboração de resumos de peças processuais e minutas. Ele é inspirado no sistema Galileu, do TRT-4 (RS). O ministro ressaltou que a elaboração do voto continua sendo uma atividade humana dos gabinetes.
- Chat-JT: ambiente corporativo que permite o uso assistido de modelos de linguagem (LLMs) para atividades administrativas e judicantes. A ferramenta é gerida pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) e assegura a privacidade dos dados.
Segurança e supervisão humana
De acordo com o ministro, o uso de IA no TST segue as diretrizes da Resolução 615 do CNJ, que exige supervisão humana e preservação do controle jurisdicional. Um exemplo de cuidado ético diz respeito ao tratamento de dados: o nome do trabalhador não aparece em certas triagens, para evitar a criação de “listas sujas” por empresas.
Para o coordenador, a tecnologia permitiu que o TST julgasse, em 2025, 530 mil processos, volume superior ao total de novos recursos recebidos no mesmo período (516 mil).
Integração e governança
O IAJus 2026 também contou com painéis sobre implementação de IA nos tribunais e com o lançamento de iniciativas do CNJ voltadas à área, como a atualização da plataforma Sinapses e novas ações de estímulo ao desenvolvimento de soluções tecnológicas.
O encontro foi encerrado com debate sobre diretrizes regulatórias para o uso da inteligência artificial no Judiciário, visando alinhar inovação tecnológica a princípios como transparência, ética e segurança jurídica.
(Nathalia Valente/CF)
Fonte TST