Comunidades Tradicionais
4 de Abril de 2025 às 9h35
MPF visita quilombo Filús e reforça compromisso com a comunidade, em Santana do Mundaú
Geograficamente isolada, comunidade enfrenta desafios em saúde, educação e infraestrutura, mas mantém sua identidade e luta por direitos
Foto: José Carlos (Sesot/MPF)
O Ministério Público Federal (MPF) visitou, nesta quinta-feira (3), a comunidade quilombola Filús, na Serra dos Cachorros, em Santana do Mundaú (AL). Isolada geograficamente e marcada por um alto índice de albinismo entre seus moradores, a comunidade resiste há gerações, mantendo sua cultura e tradição, mas enfrenta dificuldades diárias para garantir o básico: acesso à saúde, educação, transporte e infraestrutura.
A visita foi coordenada pelo procurador da República Eliabe Soares e teve como objetivo ouvir os quilombolas e entender suas principais necessidades, buscando formas de impulsionar políticas públicas que tragam melhorias reais para as cerca de 50 famílias que vivem no local. “Viemos conhecer vocês e nos colocar à disposição para buscar a melhoria da qualidade de vida na comunidade”, afirmou o procurador.
Educação — A única escola da comunidade, a Escola Municipal Ulisses Souza de Mendonça, atende crianças do 1º ao 5º ano em duas salas multisseriadas, sem fardamento escolar. São 27 alunos divididos entre as duas salas. Os mais velhos precisam se deslocar até outras localidades para continuar os estudos. O deslocamento depende do transporte escolar, mas a distância e as dificuldades da estrada tornam o acesso à educação ainda mais desafiador.
Saúde — O posto de saúde da comunidade só funciona a cada 15 dias, às terças-feiras. Nos demais dias, os moradores ficam sem atendimento e, em caso de emergência, precisam ligar para a prefeitura, que disponibiliza um carro para levá-los à cidade, independentemente do horário.
A situação se torna ainda mais grave por conta da alta incidência de albinismo em Filús. Além dos desafios comuns à população quilombola, muitas pessoas enfrentam problemas de visão e de pele, como o câncer, que poderiam ser prevenidos ou tratados com acompanhamento médico regular. A comunidade depende do fornecimento de protetores solares pela prefeitura, um recurso essencial para minimizar os impactos da exposição ao sol.
Água — A água, um bem essencial à vida, também é escassa em Filús. Um poço foi perfurado por uma ONG, mas ainda não entrou em funcionamento por falta de bomba. No âmbito do procedimento que acompanha políticas públicas para a comunidade quilombola de Pixaim, em Piaçabuçu, a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) informou que Filús está entre as prioridades para ter um novo poço perfurado e um chafariz instalado, mas, por enquanto, a única fonte de abastecimento é uma cacimba com bomba, que só libera água para as casas em dias alternados.
Estrada — O acesso à comunidade poderia ser muito mais fácil. Há anos, os moradores utilizavam uma estrada que atravessa a propriedade particular vizinha, mas conflitos sobre a passagem fizeram com que a prefeitura abrisse uma nova via, mais longa e vulnerável às chuvas, agravando o isolamento da comunidade. O antigo caminho continua sendo a melhor opção, mas está tomado pelo mato e precisa de melhorias.
Subsistência — A vida em Filús é marcada pela agricultura de subsistência. A comunidade cultiva banana, abacate e laranja, além de criar porcos e carneiros. Uma vez por semana, na quarta-feira, os moradores comercializam parte da produção. No entanto, sem infraestrutura adequada para o escoamento dos produtos, as oportunidades de renda são limitadas.
Além disso, a comunidade enfrenta problemas com a limpeza urbana. O acúmulo de lixo é uma preocupação crescente, e será necessário cobrar da prefeitura um serviço regular de coleta e manutenção da área.
A visita do MPF a Filús foi um momento de escuta, de compreensão e de compromisso. A comunidade quilombola resiste e precisa acessar direitos básicos, e o MPF reforça seu papel de parceiro nessa caminhada, buscando articulações para melhorar as condições de vida dos moradores.
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Fonte MPF