MPF recomenda que Incra apresente cronograma para implementar assentamento Vila Velha do Cassiporé no Amapá — Procuradoria da República no Amapá

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Direitos do Cidadão

28 de Janeiro de 2026 às 18h25

MPF recomenda que Incra apresente cronograma para implementar assentamento Vila Velha do Cassiporé no Amapá

Medida busca garantir regularização fundiária para 160 famílias que aguardam a conclusão da demarcação de terras e o acesso a créditos

Foto mostra um  pasto com três casas e no meio uma árvore


Foto ilustrativa: Incra

O Ministério Público Federal (MPF) enviou uma recomendação à Superintendência Regional do Incra no Amapá para que o órgão regularize, de forma efetiva, o Projeto de Assentamento (PA) Vila Velha do Cassiporé, localizado em Oiapoque (AP). A iniciativa busca pôr fim à omissão e à demora estatal que se arrasta desde a criação do assentamento, em 1999. O Incra tem agora o prazo de 30 dias úteis para apresentar um cronograma detalhado que inclua o levantamento ocupacional das famílias, o georreferenciamento dos lotes e a concessão de créditos para os trabalhadores rurais.

A atuação do MPF foi motivada por reclamações da própria comunidade e de associações locais, que denunciaram a falta de demarcação de lotes e a ausência de títulos de domínio. Atualmente, cerca de 160 famílias vivem em situação de vulnerabilidade, sem acesso a créditos de fomento para produzir, enquanto a região sofre a pressão de empresários que adquirem terras adjacentes, elevando o risco de conflitos fundiários. O MPF destaca que a demora excessiva esvazia o direito social à reforma agrária e fere o princípio da dignidade da pessoa humana.

Entre as medidas, está a recomendação de que o Incra realize um estudo antropológico, uma vez que foi identificada a presença de comunidades quilombolas na área do assentamento. Segundo a recomendação, o georreferenciamento completo e a certificação das terras no Sistema de Gestão Fundiária (Sigef) são etapas indispensáveis para dar segurança jurídica aos assentados e permitir que eles recebam investimentos públicos e infraestrutura básica.

Anteriormente, o Incra argumentou que a falta de recursos financeiros e de pessoal impediu o avanço dos trabalhos. No entanto, o MPF ressalta que a “reserva do possível” não pode ser usada como desculpa para a inércia do Estado em garantir direitos fundamentais. Por isso, a recomendação orienta que o Incra local solicite formalmente à sede nacional e aos ministérios competentes o reforço de verbas e de servidores necessários para o cumprimento das metas.

A Superintendência do Incra no Amapá tem o prazo de 15 dias para informar se acatará os termos da recomendação. O silêncio será interpretado como recusa, o que poderá levar o Ministério Público Federal a adotar medidas judiciais, como o ajuizamento de ações para obrigar a implementação das políticas públicas e a fixação de multas contra a autarquia.

Íntegra da Recomendação

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Fonte MPF