Comunidades Tradicionais
28 de Novembro de 2025 às 17h27
MPF realiza audiência pública no Acre para debater regulamentação do uso sacramental da ayahuasca
Evento reuniu comunidades tradicionais, povos indígenas, movimentos religiosos, pesquisadores e autoridades

Os procuradores Lucas Dias (esq.) e Luidgi Merlo (dir.) debatem sobre a regulamentação do uso sacramental da ayahuasca durante audiência pública na sede do MPF em Rio Branco (AC), em 28/11/2025. Foto: Comunicação/MPF.
O Ministério Público Federal (MPF) realizou, na manhã desta sexta-feira (28), audiência pública em Rio Branco (AC) para discutir as ações e omissões do poder público na proteção ao uso sacramental da ayahuasca por grupos religiosos tradicionais.
O encontro, conduzido pelos procuradores da República Lucas Costa Almeida Dias e Luidgi Merlo Paiva dos Santos, reuniu mais de duzentos participantes entre pessoas presentes no auditório do MPF e participantes online, incluindo lideranças religiosas, povos indígenas, movimentos religiosos, representantes de órgãos ambientais e de segurança pública, gestores federais, estaduais e municipais, além de pesquisadores e membros da sociedade civil.
Ao abrir os trabalhos, os procuradores destacaram que o objetivo central da audiência era “dar voz às comunidades indígenas e tradicionais ayahuasqueiras e colher subsídios técnicos, culturais e jurídicos para fortalecer uma atuação institucional capaz de garantir segurança jurídica ao uso ritual do chá”.
Segundo o MPF, relatos recorrentes de fiscalizações arbitrárias, retenção indevida de material ritualístico e dificuldades para transporte e coleta das plantas sagradas motivaram a necessidade de debate público mais amplo, além de um atraso desproporcional em relação a um procedimento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para a análise da ayahuasca enquanto patrimônio imaterial.
Representantes de diversas tradições ayahuasqueiras – incluindo centros religiosos urbanos, comunidades de origem amazônica e povos indígenas que utilizam o chá em rituais ancestrais – expuseram preocupações comuns: ausência de regulamentação clara, receio de perseguição institucional, falta de orientação às forças de segurança e riscos à preservação dos territórios de coleta.
Povos indígenas enfatizaram, ainda, que o uso da ayahuasca constitui prática milenar de cura, espiritualidade e organização comunitária, solicitando ao Estado o reconhecimento das especificidades culturais e cosmológicas que envolvem o preparo e o consumo da bebida.
Encaminhamentos e possíveis conclusões – Ao final do encontro, apesar de enfatizar que este foi o primeiro passo na escuta de todos os envolvidos, o MPF anunciou que consolidará as contribuições em um relatório oficial, contendo recomendações formais a órgãos públicos de segurança, cultura, meio ambiente e saúde para uniformização de condutas, bem como proposta de criação de protocolos para transporte, coleta e armazenamento das plantas utilizadas no preparo da ayahuasca.
Ficou, também, a sugestão para a ampliação de espaços de diálogo permanente entre comunidades tradicionais e o poder público, bem como o acompanhamento prioritário do processo do Iphan, que tramita há mais de 15 anos, para reconhecer a ayahuasca como patrimônio cultural imaterial do Brasil, com pedido de aceleração do procedimento e das fases que estão previstas para sua conclusão.
Os procuradores também indicaram que novas reuniões técnicas poderão ser convocadas a partir das informações reunidas. O relatório final da audiência será divulgado nas próximas semanas e servirá de base para a atuação institucional do MPF.
Assessoria de Comunicação MPF/AC
(68) 3214-1430 / 99238-7258
@mpf_ac
Fonte MPF

