MPF e Defensorias pedem à Justiça urgência em medidas para população em situação de rua no Rio de Janeiro — Procuradoria da República no Rio de Janeiro

0
25

Direitos do Cidadão

8 de Janeiro de 2026 às 17h35

MPF e Defensorias pedem à Justiça urgência em medidas para população em situação de rua no Rio de Janeiro

Órgãos pedem que município institua comitê intersetorial e elabore plano de ação seguindo diretrizes do STF

Foto mostra uma moradora de rua sentada em um banco de praça


População em situação de rua no centro do Rio de Janeiro. Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Ministério Público Federal (MPF), a Defensoria Pública da União (DPU) e a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) apresentaram manifestação conjunta à Justiça Federal requerendo a concessão de tutela de urgência (liminar) contra o município pela omissão em medidas voltadas à população em situação de rua na capital fluminense. O pedido teve a concordância da União.

A manifestação, assinada pelo procurador Regional dos Direitos do Cidadão adjunto Julio Araujo e pelos representantes da DPU e da DPRJ, destaca que o município do Rio de Janeiro tem se omitido no cumprimento da decisão liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) na ADPF 976, que reconheceu um “estado de coisa inconstitucional” em relação a esse grupo vulnerável. Entre as falhas apontadas, está a não instituição do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento (Ciamp-Rua) Municipal, embora o órgão já esteja previsto em lei municipal desde 2018. Para o MPF, DPU e DPRJ, a ausência desse colegiado inviabiliza a articulação entre os entes federativos e a sociedade civil.

Diante da omissão, o MPF e as Defensorias requerem que a Justiça determine ao município a criação do Ciamp-Rua Municipal em 30 dias. Além disso, solicitam que o Executivo elabore, em 60 dias, um plano de ação detalhado para cumprir as determinações da ADPF 976, incluindo medidas de zeladoria urbana que proíbam o recolhimento forçado de bens e a arquitetura hostil.

Os autores também pedem que o município pactue com a União, em até 30 dias, a execução de todas aa ações previstas no “Plano Ruas Visíveis”, garantindo que não se abra mão de recursos federais destinados a essas políticas públicas. Também foi solicitada a intimação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro para que manifeste eventual interesse em ingressar no processo.

Os órgãos sustentam que a urgência do pedido se justifica pelo “perigo de dano e risco de ineficácia da prestação jurisdicional”, uma vez que a omissão estatal gera danos contínuos e irreversíveis à dignidade humana. O documento reforça que o Decreto Federal nº 7.053/2009 tem abrangência nacional e deve ser aplicado de forma imediata por todos os entes, independentemente de adesão formal, conforme já consolidado pelo STF.

Situação alarmante – A manifestação cita dados preocupantes de uma auditoria do Tribunal de Contas do Município (TCM/RJ), que revelou que 75% das novas vagas de acolhimento previstas no Plano Plurianual 2022-2025 não foram implementadas. Além disso, houve um corte orçamentário de 61% em 2023 para ações de acolhimento, restando apenas R$ 553 mil de uma previsão inicial já considerada insuficiente pelo órgão de contas. Atualmente, a rede municipal dispõe de apenas 2.688 vagas para uma população estimada em mais de 7 mil pessoas.

Outro ponto crítico abordado é a insuficiência da estrutura de atendimento. O Rio de Janeiro conta com apenas 14 Centros de Referência de Assistência Social (Creas), quando o parâmetro técnico para sua população atual exigiria 34 unidades. A petição também menciona a existência de apenas dois Centros Pop em funcionamento e uma única Central de Recepção 24h, localizada na Ilha do Governador, cuja localização isolada dificulta o acesso voluntário da população de rua.

Assessoria de Comunicação Social
Procuradoria da República no Rio de Janeiro
Atendimento à imprensa: (21) 3971-9570 
 

 

Fonte MPF