MPF discute judicialização da saúde em seminário no Rio de Janeiro — Procuradoria da República no Rio de Janeiro

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Direitos do Cidadão

4 de Abril de 2025 às 17h37

MPF discute judicialização da saúde em seminário no Rio de Janeiro

Evento destacou o debate sobre o Tema 1234 do STF, os desafios para otimizar o acesso à saúde e aos medicamentos no SUS

Foto mostra um grupo de mulheres debatendo durante uma seminário. Uma delas está falando ao microfone, enquanto as demais escutam. Ao fundo, um enorme banner de lona mostra logomarca do Sistema Único de Saúde (SUS)e da prefeitura do Rio.


Foto: Ministério Público do Rio de Janeiro (MP/RJ)

Com o objetivo de discutir as medidas necessárias para diminuir o número de processos envolvendo a área da saúde, bem como as inciativas capazes de garantir o cumprimento de decisões judiciais e o acesso das pessoas a medicamentos, o Ministério Público Federal (MPF) participou do seminário “Desafios da Judicialização da Saúde – Tema 1234”, realizado no Super Centro Carioca de Saúde, em Benfica, Zona Norte do Rio de Janeiro. O evento, promovido pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS/RJ) no dia 2 de abril, contou com a presença da procuradora da República Roberta Trajano, que compartilhou suas perspectivas sobre a organização das demandas judiciais de medicamentos no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

O encontro debateu a aplicação do Tema 1234 do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabelece a competência para julgar processos que envolvem o fornecimento de medicamentos pelo SUS. A tese foi fixada num contexto de crescente judicialização da saúde pública no Brasil. De acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o número de ações judiciais na área da saúde aumentou cerca de 16% entre 2022 e 2023.

Redução da judicialização – Em sua apresentação, Roberta Trajano ressaltou que o Tema 1234 representa uma medida importante para organizar e sistematizar as demandas judiciais de fornecimento de medicamentos, a fim de reduzir o número de processos e otimizar a utilização dos recursos públicos. “Além desses objetivos de maior escala, trata-se de uma forma de evitar inúmeros outros problemas — como, por exemplo, a duplicidade de fornecimento dos medicamentos pelos réus nos processos, a entrega de dinheiro à parte para a aquisição do medicamento e a dificuldade de controle do valor”, afirmou.

De acordo com ela, a aplicação das teses contidas no Tema 1234, com a apropriação da matéria pelos órgãos que compõem e atuam junto ao Judiciário, pode representar um desafio, diante dos termos e aspectos técnicos envolvidos.

“Entendo ser fundamental o fortalecimento dos Núcleos de Apoio Técnico do Poder Judiciário (NatJus), para que apresentem, em seus pareceres, análise personalizada do caso e as evidências científicas existentes, bem como a criação ou o aprimoramento das câmaras de resolução de litígios em saúde, que visam a conciliação pré-processual, entre outras medidas, para que a decisão do STF não venha a servir de justificativa para o gestor público criar uma barreira ao acesso do cidadão ao direito fundamental à saúde”, disse ela.

Participações – O seminário, que contou com a participação de diversas autoridades e especialistas da área da saúde e do direito, debateu ainda importância de se compreender a responsabilidade de cada ente federativo (União, Estado ou Município) no fornecimento de medicamentos. As promotoras de Justiça Denise Vidal e Cristiana Cavalcante Benites, respectivamente coordenadora e subcoordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Tutela Coletiva da Saúde do Ministério Público do Rio de Janeiro (CAO Saúde/MPRJ), integraram a mesa de debates.

Também participaram do evento a sanitarista Carla Patrícia Figueredo Antunes de Souza; a procuradora do município do Rio de Janeiro Ana Paula Buonomo Machado; a desembargadora federal e coordenadora do Comitê Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Carmen Silvia Lima de Arruda; a defensora pública Samantha Monteiro de Oliveira; a advogada da União Juliana Lídia Lunz; a procuradora de Justiça Maria Cristina Palhares dos Anjos Tellechea, chefe da Assessoria de Atuação Especial nos Feitos de Competência das Seções Cíveis de Direito Público e de Direito Privado do TJRJ.

A atividade teve a presença das promotoras de Justiça Cristiane Branquinho Lucas e Viviane Alves Santos Silva, coordenadora e subcoordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça Cíveis e de Tutela Coletiva da Pessoa com Deficiência do MP/RJ; Bruno Cavaco e Fátima Vieira Henriques, ambos integrantes do MP/RJ; Daniel Soranz, o secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro; e Daniel Bucar, do procurador-geral do município do Rio de Janeiro.

Com informações do MP-RJ

Assessoria de Comunicação Social
Procuradoria da República no Rio de Janeiro
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Fonte MPF