MPF convoca reunião pública em Marabá (PA) para debater racismo e políticas antirracistas no município — Procuradoria da República no Pará

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Direitos do Cidadão

24 de Fevereiro de 2025 às 19h16

MPF convoca reunião pública em Marabá (PA) para debater racismo e políticas antirracistas no município

Evento está agendado para esta quarta-feira (26), às 14h30, de forma presencial e também por videoconferência

A imagem tem um fundo marrom texturizado com padrões geométricos sutis. No topo, há um texto centralizado em letras maiúsculas douradas que diz "REUNIÃO PÚBLICA". Abaixo, em letras menores e brancas, está escrito "promoção da". No centro, há um texto em branco e negrito que diz "IGUALDADE RACIAL" e logo abaixo, "E COMBATE AO RACISMO". Abaixo desse texto, há um ícone de localização seguido pelas palavras "em Marabá" dentro de um retângulo bege. No rodapé, há um logotipo do MPF em branco dentro de um retângulo marrom escuro. Nos cantos inferiores esquerdo e direito, há ilustrações espelhadas de duas mulheres negras de perfil, usando turbantes coloridos com tons de vermelho, amarelo, verde e azul, além de grandes brincos dourados.


Arte: Comunicação/MPF

O Ministério Público Federal (MPF) anunciou a realização de uma reunião pública nesta quarta-feira (26), às 14h30, para debater relações raciais, violência de gênero, intolerância religiosa, racismo estrutural, institucional e ambiental em Marabá (PA). O evento também vai debater propostas para a implementação de políticas públicas antirracistas e de equidade racial no município.

Toda a sociedade está convidada a participar. A reunião pública será na sede do MPF em Marabá, localizada na Rodovia Transamazônica, nº 1076, bairro Amapá. Também há a opção de participação por videoconferência, em www.mpf.mp.br/pa/evento

O evento faz parte de um procedimento instaurado pelo MPF em 2024 para acompanhar as ações do Poder Público municipal na busca da efetivação de igualdade racial e do combate à discriminação e à intolerância religiosa em Marabá.

O procedimento foi aberto com base em demandas apresentadas por organizações do movimento negro de Marabá, que apontaram ao MPF diversas carências e violações enfrentadas pela população negra no município.

Entre os objetivos das organizações está a criação do Conselho Municipal de Políticas de Equidade Racial, de caráter consultivo e permanente, com igual representação de órgãos públicos e da sociedade civil.

Problemas e soluções – O manifesto apresentado ao MPF pelo movimento negro elencou as principais violações, omissões e carências em relação aos direitos da população negra em Marabá, assim como propostas de soluções:

  • Educação – apesar dos avanços trazidos pela Lei 10.639/03, que desde 2003 tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas, mais de 70% dos municípios brasileiros, incluindo Marabá, ainda não consolidaram uma educação antirracista. Na cidade, há carência de políticas que garantam uma educação pública de qualidade, especialmente em áreas periféricas e rurais, além da falta de creches para crianças vulneráveis, o que expõe muitas delas a situações como trabalho infantil e violência. 

    Outras demandas incluem a formação contínua de professores para aplicar a lei, a atualização de bibliotecas escolares com obras sobre relações étnico-raciais e a necessidade de parcerias com universidades e movimentos negros para fortalecer a implementação das diretrizes. A ausência de cursos profissionalizantes para jovens e adultos da periferia também foi destacada como um ponto crítico. Soluções incluem diagnósticos da rede escolar, regulamentação local da lei, apoio de diretores e parcerias com universidades e movimentos negros para integrar a educação antirracista ao cotidiano.

  • Cultura, esporte e lazer: na área cultural, Marabá enfrenta a falta de incentivo às manifestações afro-brasileiras, como capoeira, carimbó e samba, que muitas vezes são desvalorizadas. Há também descumprimento de legislações municipais que preveem apoio a atividades do Dia da Consciência Negra. No esporte e lazer, a ausência de políticas públicas que promovam práticas inclusivas, como a capoeira, e a escassez de espaços acessíveis nas periferias agravam as desigualdades. Propõe-se editais para manifestações culturais afro-brasileiras, formação de educadores esportivos e criação de espaços acessíveis nas periferias.
  • Racismo ambiental e saneamento básico: no planejamento urbano, Marabá aparece em rankings negativos de saneamento básico. Segundo dados de 2023 do Instituto Trata Brasil, o município é o segundo pior entre os 100 maiores do país nesse quesito, com apenas 32,98% da população atendida por água potável e 18,21% com tratamento de esgoto. Essas condições afetam especialmente as áreas periféricas e rurais, configurando o que especialistas chamam de racismo ambiental, agravado por enchentes e moradias precárias. São necessárias intervenções públicas para melhorar o saneamento e as condições de vida nas periferias.
  • Segurança pública e saúde: informações de 2023 do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que 76,9% das vítimas de mortes violentas intencionais no Brasil são negras, taxa que sobe para 83,1% em casos de intervenção policial. Em Marabá, que já figurou entre as cidades mais violentas do país, a taxa de mortes intencionais é de 51,8%. Na saúde, a população negra, especialmente as mulheres, enfrenta barreiras como violência obstétrica e menor acesso a serviços, impactando também a saúde mental. Propõe-se a participação da sociedade civil em políticas de segurança e facilitação do acesso à justiça, além de ações para enfrentar o racismo na saúde.

Serviço:
Reunião pública convocada pelo MPF sobre racismo e políticas antirracistas em Marabá (PA)
Data: nesta quarta-feira (26)
Horário: 14h30
Local: sede do Ministério Público Federal (MPF) em Marabá (PA)
Endereço: Rodovia Transamazônica, nº 1076, bairro Amapá
Opção de participação por videoconferência: www.mpf.mp.br/pa/evento

Ministério Público Federal no Pará
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Fonte MPF