Justiça atende MPF e determina demolição imediata de estruturas irregulares na Ilha da Cotinga (PR) — Procuradoria da República no Paraná

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Meio Ambiente

29 de Janeiro de 2026 às 15h25

Justiça atende MPF e determina demolição imediata de estruturas irregulares na Ilha da Cotinga (PR)

Casa foi construída sem autorização em área de preservação permanente que faz parte de terra indígena

Vista aérea da baía de Paranaguá, com a Ilha da Cotinga coberta por vegetação nativa, cercada por águas calmas e outras ilhas da região.


Foto: Prefeitura de Paranaguá (PR)

Atendendo a pedido do Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal determinou a demolição imediata de construções irregulares em uma casa na Ilha da Cotinga, em Paranaguá (PR). A decisão confirma liminar concedida anteriormente e impõe ao réu a retirada de um deck e de outras estruturas instaladas sem autorização ambiental. As obras foram realizadas na Terra Indígena Ilha da Cotinga e em área de preservação permanente, o que reforça a gravidade da situação.

O descumprimento do prazo de 60 dias para a demolição acarretará multa diária de R$ 500. Além disso, a Justiça proibiu qualquer nova intervenção na área, também sob pena de multa diária de R$ 500. Caso o réu não realize a remoção voluntária, o órgão ambiental poderá executar o serviço e repassar os custos ao responsável.

A decisão baseou-se no princípio jurídico in dubio pro natura: diante do risco de dano ao meio ambiente, a Justiça deve intervir imediatamente, antes mesmo do trânsito em julgado (quando não há mais possibilidade de recurso). A dúvida sobre a extensão do prejuízo futuro favorece a preservação, não o infrator.

Biodiversidade e história – A medida visa proteger o ecossistema de manguezal, considerado berço da biodiversidade aquática e essencial para a dinâmica costeira. Paranaguá detém uma das reservas de mangue mais importantes do Brasil, mas ela enfrenta ameaças constantes: a destruição na região já soma mais de 35 km em linha reta.

A região da infração também possui relevância histórica e social. A Ilha da Cotinga foi o ponto de chegada dos primeiros colonizadores vindos de São Paulo e abriga ruínas de uma capela do século XVIII.

Além de um sítio histórico, a ilha é território dos Mbyá Guarani, que vivem lá até hoje. Segundo o Censo 2022 do IBGE, a terra indígena abriga mais de 60 indígenas que mantêm vivos os costumes e tradições de seu povo em solo ancestral, protegido por lei.

Fiscalização permanente – O MPF trabalha em outras frentes para proteger o meio ambiente antes que a irregularidade se transforme em um processo judicial. Uma delas é a Ação Integrada de Fiscalização Ambiental (Aifa), voltada especificamente para a preservação dos manguezais de Paranaguá.

Criada em 2023, a Aifa está na 28ª fase e tem como objetivo combater infrações ambientais de forma articulada e permanente. A iniciativa reúne instituições com atuação ambiental e fiscalizadora: MPF, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), IAT (Instituto Água e Terra, do governo estadual), Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Batalhão de Polícia Militar Ambiental e vários órgãos da prefeitura de Paranaguá

Ação Civil Pública nº 5055223-44.2023.4.04.7000

Consulta processual

 

Ministério Público Federal no Paraná
Assessoria de Comunicação
(41) 3219-8843

 

Fonte MPF