Ação do MPF busca conter crise humanitária do povo indigena Warao em Manaus (AM) — Procuradoria da República no Amazonas

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Indígenas

23 de Janeiro de 2026 às 17h20

Ação do MPF busca conter crise humanitária do povo indigena Warao em Manaus (AM)

Documento aponta omissões graves na garantia de direitos básicos; órgão pede adoção de medidas urgentes e R$ 300 mil em danos morais

Arte com fundo de penas coloridas e a palavra indígenas escrita com letras brancas no centro


Arte: Comunicação/MPF

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou ação civil pública contra o estado do Amazonas e o município de Manaus para combater a crise humanitária enfrentada pelos indígenas da etnia Warao. O órgão aponta omissões graves em serviços essenciais como saúde, assistência social, saneamento e segurança alimentar, destacando que a falta de assistência resultou em mortes evitáveis de crianças por desnutrição.

Diante do risco concreto de novos óbitos, o MPF solicitou, em caráter de tutela de urgência (liminar), que o estado e o município realizem, de forma imediata, o levantamento nutricional de todas as famílias da etnia Warao, com ações de busca ativa em toda a capital, independentemente de cadastros prévios.

O MPF também requer a condenação solidária dos réus ao pagamento de R$ 300 mil a título de danos morais coletivos. O valor deverá ser destinado a ações voltadas à saúde, à segurança alimentar e à assistência social da comunidade Warao em Manaus.

Insegurança alimentar e sanitária – Durante perícia antropológica realizada pelo MPF, foi confirmado que os indígenas Warao enfrentam insegurança alimentar crônica, com relatos de famílias que realizam apenas uma refeição a cada dois dias.

Além da fome, também foi verificado que muitas famílias vivem em prédios abandonados ou áreas sem saneamento básico e água potável, o que favorece a ocorrência de surtos de doenças e agrava os riscos à saúde, especialmente de crianças, gestantes e idosos.

A ação também aponta que a ausência de mediadores culturais e intérpretes têm criado barreiras significativas no acesso dessa população aos serviços públicos, comprometendo a comunicação com profissionais de saúde e dificultando o acompanhamento de tratamentos e orientações médicas.

O documento ainda afirma que a falta de dados oficiais agravou os problemas, pois o sistema municipal só passou a permitir o registro da etnia Warao em novembro de 2024, o que impediu o mapeamento correto da população durante anos.

Embora o MPF monitore a situação desde 2019, a identificação de mortes de crianças por causas evitáveis e o agravamento do quadro nutricional levaram o órgão a intensificar a atuação e judicializar a questão, buscando medidas impositivas contra o estado e o município.

Responsabilidades do município de Manaus – Na ação, o MPF destaca que cabe ao município a contratação de, ao menos, um intérprete ou mediador cultural por Distrito de Saúde, para atuação nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e em visitas domiciliares. A medida tem o objetivo de superar as barreiras linguísticas que impedem o atendimento adequado à população Warao.

 Além disso, o município deve realizar mutirões e ações de busca ativa em bairros sem cobertura de Equipes de Saúde da Família, bem como promover o cadastramento e o acompanhamento contínuo das famílias indígenas por meio dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e dos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas).

Responsabilidades do estado do Amazonas – O MPF requer que o estado assegure a presença de mediadores culturais da etnia Warao em hospitais estaduais de grande porte, especialmente naqueles onde foram registrados óbitos associados a falhas de comunicação entre equipes de saúde e familiares indígenas.

 A ação também aponta que a interrupção ou a redução significativa dos repasses estaduais para o cofinanciamento da assistência social municipal agravou a situação de vulnerabilidade dessa população.

 A Ação Civil Pública nº 1002582-80.2026.4.01.3200 tramita na 9ª Vara Federal

Fonte MPF