Conciliações no TST influenciam diretamente o dia a dia da sociedade

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3/2/2026 – Imagine que você está pronto para sair de férias, com passagens, reservas e roteiro prontos. Poucos dias antes do embarque, é anunciada uma greve que pode paralisar os aeroportos em todo o país. O impacto não é só emocional: envolve prejuízos financeiros, compromissos adiados e planos interrompidos.

Situações como essa ajudam a entender, na prática, a importância da conciliação promovida pela Justiça do Trabalho. Por trás de cada acordo firmado antes de uma paralisação, há um esforço institucional para garantir direitos, preservar empregos e, ao mesmo tempo, assegurar a continuidade de serviços essenciais para a sociedade.

Em 2025, esse trabalho ganhou números expressivos e histórias concretas que mostram como o diálogo pode evitar grandes transtornos coletivos.

Conciliação transforma conflito em solução

As negociações trabalhistas muitas vezes dizem respeito a categorias inteiras de trabalhadores responsáveis por serviços que afetam diretamente o cotidiano das pessoas, como transporte, controle de tráfego, logística, energia e comunicações. Por isso, cada acordo firmado repercute, também, na economia, na prestação de serviços e no dia a dia.

É nesse contexto que atua o Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos do Tribunal Superior do Trabalho (Cejusc/TST), responsável por mediar negociações complexas, construir consensos e evitar que divergências se transformem em greves ou longos processos judiciais.

Impacto real

Os números consolidados do Cejusc/TST em 2025 mostram os esforços empreendidos e os resultados obtidos ao longo do ano:

  • 2.783 audiências realizadas;
  • 812 acordos homologados em audiência;
  • 4.696 acordos homologados por petição;
  • R$ 1,93 bilhão movimentado em valores conciliados; 
  • 11% desse total oriundos de Acordos de Cooperação Técnica.

Os acordos de cooperação envolvendo grandes instituições, como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Santander e Petrobras, totalizaram 742 acordos homologados, com a movimentação de mais de R$ 210 milhões. Esses números representam conflitos resolvidos com mais rapidez, previsibilidade e segurança para trabalhadores e empregadores. 

Outro destaque no ano passado foi a Semana Nacional da Conciliação Trabalhista, que bateu recorde em todos os índices: foram mais de 471 mil pessoas atendidas em 100,7 mil audiências realizadas. Foram firmados 34,5 mil acordos e movimentados R$ 2 bilhões, com a destinação de R$ 257 milhões aos cofres públicos, em recolhimentos fiscais e previdenciários.

Esses resultados são desdobramentos de um trabalho contínuo desenvolvido ao longo de 2025, período em que a Vice-Presidência do Tribunal Superior do Trabalho, responsável pela condução das conciliações no âmbito do Cejusc/TST, esteve sob a liderança de dois ministros. Até setembro, o ministro Maurício Godinho Delgado coordenou mediações e acordos de grande impacto social. A partir de setembro, a função passou a ser desempenhada pelo ministro Caputo Bastos, que deu continuidade às políticas de conciliação e intensificou a atuação do Cejusc/TST na prevenção de conflitos, especialmente em categorias essenciais.

Estrutura e política voltadas ao diálogo

A fim de proporcionar as melhores condições para o diálogo, o Cejusc/TST inaugurou, em setembro, um espaço projetado para oferecer mais conforto, privacidade (com isolamento acústico) e equipamentos que permitem audiências presenciais e telepresenciais. 

Além disso, a Vice-Presidência do TST lançou em dezembro uma cartilha com orientações práticas para a advocacia sobre a mediação pré-processual na Justiça do Trabalho e seus benefícios. O documento explica porque a mediação é um instrumento eficaz para prevenir litígios e proporcionar soluções mais rápidas e econômicas.

Serviços essenciais protegidos

Um dos diferenciais da conciliação na Justiça do Trabalho é sua atuação preventiva, especialmente em setores estratégicos. Em 2025, negociações conduzidas pelo Cejusc/TST evitaram greves que poderiam causar impactos significativos à sociedade. Em dezembro e janeiro, durante o recesso forense, servidores e juízes auxiliares da Vice-Presidência atuaram para garantir a continuidade de serviços essenciais.

Aeronautas: acordo evitou paralisação na virada do ano

Às vésperas das festas de fim de ano, os aeronautas chegaram a aprovar indicativo de greve. A mediação conduzida pelo Cejusc/TST resultou na assinatura da convenção coletiva de trabalho da categoria, com reajuste salarial, ganho real, valorização de benefícios e ajustes na jornada. O consenso evitou um colapso no transporte aéreo em um dos períodos mais sensíveis do calendário nacional.

Aeroviários: mediação assegurou direitos e continuidade dos voos

Também por meio do Cejusc/TST, aeroviários e companhias aéreas firmaram nova convenção coletiva após mediação iniciada em dezembro. O acordo trouxe avanços salariais, proteção a trabalhadores próximos da aposentadoria e novas cláusulas sociais.

Controladores de voo: diálogo preservou segurança aérea

Outro exemplo emblemático foi o acordo coletivo firmado entre a NAV Brasil e os controladores de tráfego aéreo. A greve anunciada foi suspensa, e a negociação evoluiu para um consenso sobre temas sensíveis como jornada, descanso, segurança operacional e plano de cargos e salários. A conciliação evitou impactos diretos na malha aérea brasileira, especialmente em um período de aumento do fluxo de passageiros.

Reparação histórica

A atuação do Cejusc/TST não se limita à prevenção de greves. Em 2025, o centro foi responsável por audiências que resultaram no acordo estrutural de Brumadinho, homologado pelo TST, que beneficiará herdeiros das 272 vítimas do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão.

O acordo possibilitou indenizações a familiares, inclusive de vítimas que não tinham vínculo direto com a empresa ou que nem sequer haviam ajuizado ações judiciais. Trata-se de um exemplo de como a conciliação pode ampliar o alcance da Justiça e promover reparação social de forma mais humana e efetiva.

Benefício para todos

Ao apostar no diálogo, a Justiça do Trabalho reafirma seu papel de mediadora social. Cada conciliação bem-sucedida representa menos processos, menos rupturas e mais estabilidade para trabalhadores, empresas e sociedade.
Quando um acordo evita uma greve, garante que voos decolem, ônibus circulem ou serviços funcionem normalmente, quem ganha não são apenas as partes envolvidas, e sim toda a população.

(Flávia Félix/CF)

 

Fonte TST